{"id":1069,"date":"2020-06-18T10:28:15","date_gmt":"2020-06-18T13:28:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marcostenorio.com\/?p=1069"},"modified":"2026-01-13T17:54:09","modified_gmt":"2026-01-13T20:54:09","slug":"o-paradoxo-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marcostenorio.com\/?p=1069","title":{"rendered":"O paradoxo das redes sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos de quarentena, um recurso muito utilizado para se manter pr\u00f3ximo das pessoas que amamos s\u00e3o as redes sociais. Criadas para simular um mundo virtual onde <strong>compartilhamos nossas ideias<\/strong> e trocamos fotos, informa\u00e7\u00f5es e nosso cotidiano mutuamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizamos <strong>chamadas de v\u00eddeo<\/strong> individuais e em grupos, as famosas <strong>lives<\/strong> nas redes que transmitem v\u00eddeos, atualizamos nossas redes e nos atualizamos sobre as redes de quem nos interessam a partir de fotos que mostram o cotidiano e diminuem a nossa saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria lindo se funcionasse dessa forma, mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim. Vimos v\u00e1rias redes sociais surgirem e desaparecerem em quest\u00e3o de poucos anos. Sempre que nosso direito de opini\u00e3o \u00e9 usado sem pensar no direito do ouvinte, essa rela\u00e7\u00e3o costuma tornar-se nociva e as redes, que deveriam ser ambientes leves e de entretenimento, come\u00e7am a se transformar em lugares pesados e cansativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>orkut<\/strong> experimentou essa decad\u00eancia h\u00e1 alguns anos por conta de posicionamentos dos usu\u00e1rios e o excessivo uso de gifs. O <strong>Facebook<\/strong> anda dando sinais de cansa\u00e7o com seu algoritmo que prioriza alguns assuntos que nem sempre estamos interessados por conta do n\u00famero de curtidas e compartilhamentos. Inclusive a rede social vem sendo questionada por n\u00e3o limitar a difus\u00e3o de not\u00edcias falsas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado tudo disso: muitas amizades foram desfeitas e at\u00e9 relacionamentos acabaram por conta de opini\u00f5es pol\u00edticas, posicionamentos sobre assuntos que sequer as pessoas t\u00eam conhecimento, entre outras coisas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img  decoding=\"async\"  src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABAQMAAAAl21bKAAAAA1BMVEUAAP+KeNJXAAAAAXRSTlMAQObYZgAAAAlwSFlzAAAOxAAADsQBlSsOGwAAAApJREFUCNdjYAAAAAIAAeIhvDMAAAAASUVORK5CYII=\"  alt=\"\"  class=\" pk-lazyload\"  data-pk-sizes=\"auto\"  data-pk-src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/H3Oy6XL0qB3lIQ2zds1OgxjD1WuAMxwd9sj8XDX9ZQlw7-6umchZ5HPS2HNp9-0kgGTqU3LbI9TqPSJtEcwJ3Ou2pv6kUoGArep3ToQxEn29VLJ5oe9AUK1DobPG2yqZlQDoy4H3\" ><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto: Pixabay<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Instagram<\/strong>, famoso por toda a ostenta\u00e7\u00e3o de muitos perfis, mostrou-se arrogante durante a quarentena, quando diversos influencers, vivendo em suas bolhas surreais, preferiam mostrar suas posses para pessoas que estavam angustiadas com seus empregos e com saudades do simples ato de sair de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Restou o <strong>Tiktok<\/strong>, uma rede divertida e jovem que oferece todos os dias m\u00fasica, dan\u00e7a e humor para alimentar nossas almas com alguma alegria sem compromisso com est\u00e9tica ou patroc\u00ednio de grandes marcas de forma escancarada.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>cultura do cancelamento<\/strong> vem se repetindo diariamente. Artistas e pessoas comuns, que expressam alguma opini\u00e3o contradit\u00f3ria, pol\u00eamica e at\u00e9 equivocada sofrem com um movimento que mais parece a modernidade l\u00edquida de Bauman e deixam, em poucas horas, de ser celebridades ou conhecidas respeitosamente, por conta de uma frase ou foto postada em uma das redes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img  decoding=\"async\"  src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABAQMAAAAl21bKAAAAA1BMVEUAAP+KeNJXAAAAAXRSTlMAQObYZgAAAAlwSFlzAAAOxAAADsQBlSsOGwAAAApJREFUCNdjYAAAAAIAAeIhvDMAAAAASUVORK5CYII=\"  alt=\"\"  class=\" pk-lazyload\"  data-pk-sizes=\"auto\"  data-pk-src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/cgoxglAM7dxhGcrl54k0ETqiV7ce9fLEtcBJtHixs49WaVwlGqe76T1rXQANf6dFgVDJeq6Dze5i7m4QiCko-oNi7DiRKKLnohT1mRBhaOnlWcSqjqd_k4rLYGjWdC-Bjnq_8uDj\" ><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto: Carlos Rosillo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bauman<\/strong> falava isso logo ap\u00f3s a segunda guerra, principalmente em meados de 1960 ele percebia que as rela\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas (chamada por ele de modernidade s\u00f3lida) estavam dando lugar a rela\u00e7\u00f5es mais vol\u00e1teis (chamadas por ele de <strong>modernidade l\u00edquida<\/strong>). Se antes a humanidade baseava suas rela\u00e7\u00f5es no estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es duradouras, agora ela colocava as rela\u00e7\u00f5es como algo passageiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se reflete muito na nossa cultura atual, chamada por <strong>Pierre L\u00e9vy<\/strong> de <strong>Cibercultura<\/strong>, por estar baseada em conex\u00f5es cibern\u00e9ticas. O fil\u00f3sofo falava, em 1999 que nossa cultura iria se modificar ao ponto de n\u00e3o podermos mais optar por fazer ou n\u00e3o parte disso, mas que ao mesmo tempo estar\u00edamos imersos em um oceano (ou dil\u00favio) de informa\u00e7\u00f5es \u00fateis e in\u00fateis e ter\u00edamos dificuldade para identificar o que era verdadeiro ou n\u00e3o (bastante semelhante com o momento, permeado de <strong>fake news<\/strong> e, em breve de <strong>deep fakes<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma cena de <strong>Years and years<\/strong> (s\u00e9rie da <strong>HBO<\/strong> que falei aqui no ano passado), uma das personagens, adepta do transumanismo, utilizava emojis para cobrir seu rosto enquanto interagia com seus pais, escondendo assim seus sentimentos reais. Bem semelhante com o que muita gente faz para mascarar suas pr\u00f3prias ang\u00fastias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda citando L\u00e9vy, esse grande n\u00famero de conex\u00f5es se contrap\u00f5e ao comportamento de pilhagem que algumas vezes os usu\u00e1rios do ciberespa\u00e7o possuem. Sempre que algu\u00e9m influente fala algo equivocado, inicia-se um processo muito grande de ataques em cima dele, ao ponto em que n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de defesa e a reputa\u00e7\u00e3o dessa pessoa acaba-se em quest\u00e3o de horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse efeito manada dos internautas tem levado a alguma rea\u00e7\u00f5es muito boas em algumas quest\u00f5es, mas ao mesmo tempo preocupante por ter um perfil de <strong>linchamento virtual<\/strong>, sem o direito de defesa nem a apresenta\u00e7\u00e3o de provas contundentes, criando grandes tribunais da internet. N\u00e3o quero citar um caso espec\u00edfico aqui, mesmo porque n\u00e3o pretendo julg\u00e1-lo mas tenho visto diversos, semanalmente e alguns, injustamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de nos escondermos por tr\u00e1s de <strong>avatares<\/strong> em nossas redes sociais n\u00e3o nos exime do dever de respeitar as outras pessoas, assim como n\u00e3o nos tira o direito de sermos respeitados. Tamb\u00e9m n\u00e3o nos d\u00e1 o direito de sermos ju\u00edzes de acusa\u00e7\u00e3o ou defesa de quem cometeu erros, isso cabe \u00e0 pol\u00edcia, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img  decoding=\"async\"  src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABAQMAAAAl21bKAAAAA1BMVEUAAP+KeNJXAAAAAXRSTlMAQObYZgAAAAlwSFlzAAAOxAAADsQBlSsOGwAAAApJREFUCNdjYAAAAAIAAeIhvDMAAAAASUVORK5CYII=\"  alt=\"\"  class=\" pk-lazyload\"  data-pk-sizes=\"auto\"  data-pk-src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/-wfKu5xvBnmidxWB9maIAAxDjxSd-0raz07HfHiilOifyaZc2cu-oMTJd81u5hBfraIGQpbfUmqEEZZ2KIyenhPgeoCpx-rtAJ8BVGPfxLuRKYppxfTWmC6cfXLTiXgCN7dwI6f_\" ><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto: Pixabay<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma cultura baseada nas <strong>conex\u00f5es<\/strong> cibern\u00e9ticas, na qual o virtual tornou-se real, \u00e9 importante buscar estabelecer la\u00e7os para buscar criar v\u00ednculos mais pr\u00f3ximos dos reais, como na modernidade s\u00f3lida, antes que toda essa modernidade l\u00edquida fa\u00e7a com que nossas rela\u00e7\u00f5es se percam por entre nossos dedos, como \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse confinamento, voc\u00ea deu bom dia a algu\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o falava h\u00e1 algum tempo? Talvez seja um bom momento para isso, crie sua pr\u00f3pria rede social, independente de sites ou apps.<strong> Inspire, incentive e busque pessoas<\/strong>, fa\u00e7a conex\u00f5es sociais com elas, pois somos animais sociais e precisamos desses elos em nosso cotidiano. E j\u00e1 que n\u00e3o podemos nos encontrar pessoalmente, que <strong>virtualmente seja caloroso e saud\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado no Site RG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de quarentena, um recurso muito utilizado para se manter pr\u00f3ximo das pessoas que amamos s\u00e3o as redes sociais. 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